Sunday, 13 March 2011

The Lost Thing


Realizador: Andrew Ruhemann, Shaun Tan (argumento)
País de Origem: Australia, Reino Unido
Ano de Estreia: 2010

E no rescaldo da Cerimónia de entrega dos Óscares, fomos buscar a curta que levou para casa uma das tão cobiçadas estatuetas douradas.

A curta foi concretizada depois do livro infantil de Shaun Tan, com o mesmo nome, ter surpreendido pela qualidade das ilustrações, tendo recebido alguns dos prémios mais conceituados do mundo dos livros (Bologna International Book Fair, Menção Honrosa; Aurealis Award e Spectrum Award (EUA)), tendo mesmo uma exposição dos trabalhos originais no Itabashi Art Museum em Tóquio.

Um rapaz encontra uma criatura estranha numa praia, e decide ajudá-la a encontrar um lar num mundo em que todos dão atenção a tudo o resto, a outras coisas que para as crianças não interessam...

“The Lost Thing” é uma curta de Shaun Tan, com cerca de 15 minutos de duração, que aliando uma animação visualmente surpreendente a um argumento bem estruturado, consegue fazer o que muitas longas metragens não são capazes: fazer com que o público faça um exame de consciência e se aperceba tudo o quanto perdeu ao crescer.

Today is the tomorrow you expected yesterday.

A história é extremamente simples, e sem recorrer a muitos artificialismos poéticos ou metafóricos leva o espectador numa viagem pela infância que passou. Lembrando que ao entrar na idade adulta, muitas das portas são fechadas e muitas das coisas que nos fascinaram, encantaram e fizeram sorrir ficaram fechadas do lado fora...

Ficámos a aguardar pelo próximo trabalho de Tan, pois com um trabalho de estreia com esta qualidade só podemos contar com mais surpresas agradáveis...

Classificação: 10/10



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Friday, 4 March 2011

As Múmias do Faraó - As Aventuras de Adèle Blanc-Sec


Título Original: Les Aventures Extraordinaires d'Adèle Blanc-Sec
Realizador: Luc Besson
Ano de Estreia: 2010

Paris, mesmo antes da Primeira Guerra Mundial, no ano de 1912. Enquanto efazia experiências com o alcance dos seus poderes telepáticos, o professor Espérandieu faz chocar um ovo de pterodáctilo com 136 milhões de anos, em exposição no Museu de História Natural de Paris. O pterodáctilo à solta começa logo a causar estragos e a polícia vê-se obrigada a agir.
Adèle Blanc-Sec (Louise Bougoin), uma jornalista, vê-se enredada em toda a confusão mal chega a Paris, do Egipto...

Quando se vê o trailer de “Adèle Blanc-Sec”, não se está minimamente preparado para o que nos espera a partir o momento em que as luzes são desligadas e o projector começa a rolar.

Luc Besson brinda-nos com um retrato pitoresco e energético de uma Paris no virar do século, povoada por personagens ironicamente construídas, muito do estilo dos filmes franceses do género (quem não se lembra dos filmes de Astérix, e os personagens que povoam os seus filmes).

A protagonista desta produção certamente deixaria Lara Croft embaraçada com a classe, energia e imaginação de Adèle Blanc-Sec e sobretudo com o sentido de humor dela. Há já muito tempo que não assistia às gargalhadas colectivas de uma plateia, face às peripécias dos personagens de “Adèle Blanc-Sec”.


Desde os cenários pormenorizados e bem trabalhados, de uma Paris a entrar na modernidade, passando pelo guarda-roupa, sendo tudo bem complementado por um trabalho de actores impecável, e um argumento bem construído com um humor mordaz que a ninguém deixa indiferente.

A única coisa que por vezes falha é a tradução e a legendagem, que devido a muitas tiradas serem brincadeiras com nomes de personagens e lugares franceses bem contextualizados numa cultura francesa, em suma regionalismos e “francesismos”, por vezes um espectador de outra nacionalidade facilmente deixa passar algumas sem se aperceber o potencial cómico. Talvez a introdução de notas da tradução no decorrer do filme, ajudassem a “agarrar” algumas referências e arrancar mais umas quantas gargalhadas e sorrisos.

Resumindo, é mais um argumento fantástico saído das páginas da banda desenhada franco-belga Adèle et la bête de 1976, da autoria e com o traço de Jacques Tardi, e que Luc Besson soube adaptar à grande tela, deixando o público à espera de encontrar Adèle novamente...

Depois da estreia no Fantasporto, as aventuras de Adèle chegarão aos cinemas nacionais já no próximo mês, a 10 de Março de 2011.

Classificação: 9/10


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Thursday, 10 February 2011

Black Swan – O Cisne Negro



Título Original: Black Swan
Realizador: Darren Aronofsky
País de Origem: USA
Ano de Estreia: 2010

Nina (Natalie Portman) é uma bailarina numa companhia de ballet em Nova Iorque cuja vida, é completamente consumida com a dança. Ela vive com a mãe, uma antiga bailarina obececada que controla a filha de forma sofucante. Quando o director artístico Thomas Leroy (Vincent Cassel) decide substituir a bailarina principal, para a produção de abertura da nova temporada, “ O Lago dos Cisnes”, Nina é a sua primeira escolha. Mas Nina tem competição: a nova bailarina da companhia, Lily (Mila Kunis), que também impressionou Leroy.
“O Lago dos Cisnes” é uma peça que exige que a bailarina principal consiga interpretar tanto o Cisne Branco, com graciosidade e inocência como o Cisne Negro, que representa o mal e a sensualidade. Nina é o Cisne Branco perfeito e Lily o Cisne Negro por excelência. À medida que as duas bailarinas se tornam em rivais viscerais, formam uma amizade distorcida e assim começa uma descida aos recantos mais obscuros da mente delirante de Nina...

Para quem conhece um bocadinho o mundo do ballet e da música clássica, o Cisne Negro é quase um dejá-vu... Aronofsky conseguiu captar de uma forma cruelmente realista as pressões insanas, as horas impossíveis de dedicação, a obsessão pela perfeição, pelo reconhecimento e por uma oportunidade de um elemento se destacar por entre um grupo de pessoas igualmente talentosas e dedicadas. E principalmente, pela solidão impossível que acompanha o reconhecimento...

Depois de rios de tinta escritos sobre a nova produção de Aronofsky, penso que não podemos deixar passar esta oportunidade de tentar ver o que se passa do outro lado do espelho...para além dos tutus e das sapatilhas de pontas.


Natalie Portman, tem aqui uma oportunidade de conseguir provar a sua capacidade como uma actriz multifacetada, capaz de interpretar papéis variadíssimos e mesmo assim conseguir passar uma imagem de seriedade e comprometimento (V de Vendeta, Sexo sem Compromissos e Star Wars). Em Cisne Negro, Natalie Portman atinge um nível de fusão com o personagem de Nina Sawyers arrepiante, agarrando o espectador e puxando-o para a sua espiral descendente rumo à obsessão doentia com a peça “O Lago dos Cisnes”. Assistimos abismados, fascinados e aterrorizados à metamorfose da bailarina asfixiada pelo método, frígida e sob o jugo tirânico da mãe, num “cisne negro” visceral, explosivo e com as emoções à flor da pele.

Outro dos pontos a assinalar é a interpretação de Mila Kunis e Vincent Cassel, que tal como a protagonista presenteiam o espectador com representações brilhantes, dando todo o apoio e abrindo caminho para a “Rainha dos Cisnes”.

O único ponto menos bem conseguido e que deixa um sentimento de vazio é o acto final, em que de uma forma demasiado simplista se revela o desfecho de uma história tão complexa e delirante. Conhecendo bem o trabalho de Aronofsky, estava certamente à espera de algo ao nível do resto do filme e sei que ele era capaz de embrulhar tudo numa embalagem bem mais interessante, bem mais profunda que a pirueta final de Nina...

A Banda Sonora ficou uma vez mais a cargo do prodigioso Clint Mansell (Requiem for a Dream, The Fountain, membro dos Cronos Quartet), todas as composições integram partes da peça original de Tchaikovsky (composta entre 1875/76), e o tema principal é uma inversão do tema mais conhecido por todos, dando-lhe um toque mais negro e trágico.

Aquando da estreia de “O Lago dos Cisnes” em 1877, a peça e toda a produção foi muito mal recebida pela crítica, pelos estudiosos e pelo público, sendo muito critado a complexidade da peça orquestral, demasiado barulhenta e a sua incompatibilidade com uma coreografia de Ballet...

Desde o dia 20 de Fevereiro de 1877, desde a sua primeira representação no palco do mítico Teatro Bolshoi, em Moscovo (a inspiração para a coreografia encenada para este filme, foi retirada desta companhia de ballet), que “O Lago dos Cisnes” tem apaixonado e arrebatado espectadores. Esta nova interpretação pelas mãos de Aronofsky, ao contrário da peça de Tchaikovsky foi recebido de braços e corações abertos desde a sua estreia, mostrando um novo lado de um dos clássicos mais controversos de sempre...

Classificação: 9/10
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