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Monday, 30 December 2013

Balanço 2013



O ano de 2013 foi um ano recheado, foi um pouco menos turbulento que os 2/3 anos anteriores mas mesmo assim é um ano marcante para mim.

A nível pessoal foi um ano cheio de altos e baixos: foi o ano em que como muitos portugueses conheci a realidade do desemprego, foi o ano em que perdi um membro da minha família e foi também o ano que assistiu o meu regresso às lides académicas.


Em termos de projectos, este ano assistiu ao nascimento da Invicta Imaginária e à organização da sua primeira antologia Winepunk e mesmo no fim do ano surgiu a ideia de um jantar dedicado à escrita, A Noite de Lord Byron. Participei na segunda edição da Euro Steam Con - Porto e uma vez mais trouxemos o Almanaque Steampunk para todos os fãs de Steampunk.




Foi o ano em que finalmente partcipei no projecto fotográfico do Mário Pires, sendo desafiada a escolher um livro favorito e falar um bocadinho dessa escolha, Book Loving Girls:



(Joana Neto Lima)           (Goodreads)

Foi o ano em que a Clockwork Portugal teve o prazer de colaborar com a Saída de Emergência e fazer um pequeno evento em Lisboa (a afluência só confirma a nossa decisão de centrar as nossas actividades no Porto).


Apesar da qualidade e correcção do artigo (fizemos um pequeno jogo a tentar ver em que a jornalista acertou - não foi em muita coisa!), a Clockwork Portugal apareceu na Revista do Correio da Manhã e no programa de Televisão da RTP1 "O Nosso Tempo", essa reportagem sim bem mais acertada e que até conseguiu transmitir o que é afinal o Steampunk em Horário Nobre.


Quanto a filmes e leituras o ano foi igualmente recheado: 
- Cerca de 70 filmes vistos, muitos deles no cinema. Este ano foi o ano da Ficção Científica e tirei a barriguinha de misérias de anos anteriores.

O Filme do ano para mim foi Gravity de Cuáron:

(IMDB)


O filme desilusão foi infelizmente o Hobbit: A Desolação de Smaug:
(IMDB)

- Mais de 80 livros lidos este ano. Voltei com força ao manga, terminando a releitura de Fullmetal Alchemist e Death Note e vou a meio da releitura de Bleach.

A Descoberta do ano foi a saga de Ketty Jay do Chris Wooding:


A desilução do ano foi o Outlander da Diana Gabaldon:

Ao longo deste ano e porque tendemos a esquecer as coisas boas, fiz um pequeno exercício: comprei um frasquinho e lá dentro coloquei todas as coisas boas e positivas que aconteciam na minha família, olho agora para ele e sei que em 2014 ainda mais lembranças boas poderei colocar no frasquinho deste novo ano que se inicia amanhã.


Saturday, 22 June 2013

Gantz - Live-action (Parte I)


Título Original: Gantz
Director: Shinsuke Sato
País de Origem: Japão
Ano de Estreia: 2011

Sinopse:

O estudante universitário Kei Kurono (Ninomiya Kazunari) reconhece o amigo de infância Kato Masaru (Matsuyama Ken'ichi) enquanto este tenta ajudar um homem que caiu na linha do metro. Quando Kato vê o amigo na plataforma de embarque, Kurono sente-se compelido a ajudar, o comboio aproxima-se e não irá parar naquela estação...


Juntos tiram o homem da linha mas não têm tempo de também eles se porem em segurança, e juntos vêm a aproximar-se o comboio que lhes irá tirar a vida... Quando abrem os olhos os dois encontram-se num apartamento vazio, na sala desse apartamento apenas existe uma grande esfera negra e pessoas que como eles deveriam estar mortas.

A esfera no apartamento é Gantz, a sua missão: coordenar as pessoas dentro do apartamento em missões de vida e de morte para exterminar extraterrestres que se escondem na Terra.


Pessoas normais de todas as idades, são obrigadas a lutar contra criaturas estranhas, usando armas futuristas e fatos que lhes conferem capacidades sobre-humanas.

Comentário:
Gantz foi baseado no manga com o mesmo nome, escrito por Hiroya Oku (os seus 37 volumes venderam mais de 175 milhões de cópias um pouco por todo o mundo) e há muito que os fãs esperavam peas adaptações live-action.

Um pequeno aviso à navegação: eu sou imensamente parcial quanto a Gantz. É dos meus manga favoritos e que tive também a oportunidade de acompanhar em real time e desde o início. You've been warned. :)

Começo por dizer que estas adaptações de Gantz para o grande ecrã, encabeçam a lista dos melhores live-action de sempre. Respeitam a história (fazendo os necessários ajustes para que funcione no tempo reduzido dos filmes e visualmente no grande ecrã) e o vibe da história original. Quase toda a acção é durante a noite ou então durante o pôr-do-sol, usando e abusando dos tons escuros e sufocantes. O feel do manga e também nestes live-action mimetiza de forma perfeita a situação dos escolhidos por Gantz, são reféns da grande esfera negra naquela sala num apartamento de Tóquio e nada podem fazer, a não ser lutar e conseguir 100 pontos... ou morrer a tentar.

O manga de 37 volumes foi publicado entre os anos 2000 e 2013 (o último capítulo de Gantz foi publicado no passado dia 20 de Junho), é um dos mangas mais vendido dos últimos anos e em 2008 foi considerado o melhor seinen do ano juntamente com Black Lagoon (outro dos meus favoritos).

O primeiro filme de Gantz estreou em Janeiro de 2011 e a partir do momento em que ouvi os nomes dos actores que encabeçavam o elenco, senti que estavamos prestes a ver finalmente adaptações competentes desta história, pois com nomes tão sonantes como Matsuyama e Nanomiya a bordo, a equipa não poderia dar-se ao luxo de repetir os erros cometidos nos live-action de Death Note (que irei publicar análise aprofundada mais tarde).

Neste primeiro filme conhecemos Gantz e descobrimos o seu propósito de destruir extraterrestres que se escondem na Terra. Assistimos à morte e regeneração de Kurono e Kato e ficamos a saber as motivações de cada um para sobreviver e lutar.


O mundo de Gantz não é apenas gore, sangue, estraterrestres monstruosos e engenhocas futuristas (que com muita pena minha não foram muito diversificadas, os criadores dos filmes ficaram-se pelas armas e pelas espadas), Gantz é acima de tudo uma história sobre pessoas normais, que devido a um acaso do destino foram obrigadas a se adaptar a circunstâncias extraordinárias.


As primeiras batalhas a que assistimos no filme, roçam o patético, em que por vezes dava por mim a querer esbofetear alguém: o alvo está à frente do nosso herói desarmado e parado, porque raio não dispara ele? Porque não reage e fica ali a olhar? A resposta é simples: o que faríamos nós numa situação idêntica, quando deparados com extraterrestres, armas desconhecidas e fatos que parecem saídos de uma convenção de cosplay? Duvido que fossemos capazes de muito melhor...


O orçamento milionário de Gantz possibilitou a recriação de algumas armas e engenhos que vemos no manga de forma extraordinária e fiel aos desenhos originais e com muito detalhe.


A peça principal do equipamento dos escolhidos de Gantz é o fato que além de servir como protecção, também ele pode ser usado como uma arma, pois confere agilidade e força sobre-humana ao utilizador. Tal como as armas, o cuidado com os detalhes é notório e devo dizer que era o que mais temia nas adaptações, pois este fato tinha todo o potencial para "correr mal" ao ser transposto para live-action (casos desastrosos de adaptações começam exactamente por fatos demasiado "costumy", não sendo minimamente credíveis como ferramentas efectivas de defesa/ataque.)

Trailer:


(Continua na próxima semana)

Monday, 6 February 2012

The Hunger Games (2)

 A semana passada foi divulgado mais um trailer da adaptação cinematográfica da trilogia de Suzanne Collins, "The Hunger Games". E devo dizer que depois de ler a trilogia estou cada vez mais entusiasmada com este filme!
Já tem estreia marcada para território nacional a 29 de Março...

Tuesday, 31 January 2012

Sherlock Holmes: A Game of Shadows

(IMDB)

Data de Estreia: 5 de Janeiro de 2012
País de Origem: USA
Realizador: Guy Ritchie

Sinopse:
Após ter derrotado Lord Henry Blackwood, Sherlock Holmes (Robert Downey Jr.) é confrontado com um novo desafio que envolve o maléfico Professor Moriarty (Jared Harris), um homem dotado de um intelecto soberbo que pretende dominar o mundo. Watson (Jude Law) vai assistir Sherlock Holmes neste seu novo desafio mas também vai tentar salvar a sua relação com Mary Morstan (Kelly Reilly).

Comentário:
Ora bem, por onde começar?! Sherlock Holmes é, como posso colocar?! Over the top, é isso!

Não é um filme muito dado a profundas análises, pois é o que é: um filme de entretenimento e nota-se bem o prazer que toda a equipa teve em o produzir.

É um filme de puro entretenimento, com uma banda sonora espantosa da autoria do prodigioso Hans Zimmer. Nota-se claramente uma maior exploração do bromance (claramente alguém da equipa seguiu a ebulição das redes sociais como twitter, tumblr e afins com a relação de Holmes e Watson) e um maior aprofundamento dos protagonistas.

Este segundo Sherlock Holmes deixa algumas questões em aberto para uma possível continuação e conclusão de uma trilogia dedicado ao personagem de Sir Arthur Conan Doyle. Acho que agora tudo depende dos resultados de bilheteira.

A relação de Holmes e Moriarty foi muito bem explorada, apesar das liberdades de argumento que se tomaram quanto aos personagens originais de Conan Doyle, a relação simbiótica e antagónica dos dois adversários foi exemplarmente transposta no filme de Guy Ritchie.

Por vezes o over the top foi demasiado, e a excessiva repetição do slow motion ou das cenas de acção cansaram um pouco, mas mesmo assim é um bom filme para descontrair.


Classificação: 7/10

Sunday, 29 January 2012

Underwold: Awakening


Título Original: Underworld: Awekening
País de Origem: USA
Ano de Estreia: 2012

Sinopse:
Quando os humanos descobrem a existência de Vampiros e de Lycans, inicia-se uma purga para erradicar ambas as espécies, sendo consideradas doenças contagiosas todos os infectados são imediatamente eliminados. Ambas as raças são forçadas a mergulhar na clandestinidade... Ao fim de 12 anos de cativeiro, Selene escapa e prova que por vezes o melhor é mesmo resistir e lutar!

Comentário:
Aviso à navegação - como já havia referido no meu meme "Guilty Pleasures", esta saga é um dos meus maiores Guilty Pleasures, por isso não se admirem se este comentário for tendencioso :P

O filme passa-se cerca de doze anos depois de Underworld: Evolution. E temos Selene (Kate Beckinsale) de volta e mais letal que nunca!

A heroína Selene é um dos marcos de filmes de vampiros e com este novo filme dá-se claramente origem a uma nova fase do franchise de Underworld (saí da sala de cinema com a sensação que vem aí uma nova trilogia, mas irei estar atenta a qualquer notícia para ver até que ponto estou certa).

Este quarto filme, veio restaurar um pouco a fé dos fãs em Underworld, isto depois do falhanço que foi o terceiro filme (sinceramente ainda não sei muito bem o que se passou ali)... Selene voltou, com mais kill power e vingança. Este filme tem mais explosões, um body count superior que nos dois filmes em que ela entra e acima de tudo um argumento muito mais estruturado, humano (ou vampírico conforme preferirem) em que se pode ver o lado mais emocional e profundo de um personagem que nos filmes anteriores não foi tão explorado. 

Considero Underwold: Awakening um filme mais maduro, mais ponderado (demonstrando o respeito que os realizadores têm pelo universo e pelos personagens que o habitam). Após nem 30 minutos do início do filme, subiu rapidamente para a posição de melhor filme da saga.

A banda sonora da autoria de Marco Beltrami, volta a destacar-se uma vez mais pela positiva. Tanto a score como a banda sonora propriamente dita (com várias contribuições de Renholder) refletem perfeitamente a atmosfera do filme.

Uma vez que tenho um fraquinho por esta saga, decidi arriscar mais uns trocos e ir ver a versão 3D... e que posso dizer?! Uma verdadeira desilusão!! O filme já de si é escuro (apenas continuando a tendência dos filmes anteriores), e como todos sabem os filmes convertidos em 3D na fase de pós-produção tornam-se ainda mais escuros (veja-se o caso do Avatar do Night Syamalan). Esta combinação é fatalmente infeliz neste filme, existiam cenas em que mal se distinguiam elementos importantes no filme. Existem cenas que estão muito bem conseguidas para 3D, de notar a cena do elevador, mas não compensa o dinheiro extra... terei mesmo que ir ver o filme novamente em 2D - isto se o conseguir encontrar em exibição nesse formato. Acho que como consumidor/espectador deveria ter essa hipótese de escolha, pois como já referi anteriormente, há pessoas que toleram mal a tecnologia 3D (eu por exemplo, em cenas 3D com muito movimento provocam-me por vezes sensação de enjoo).


Outra nota: é impressão minha ou os cinemas Lusomundo estão a perder qualidades?! A primeira parte do filme foi vista sem som surround e só depois do intervalo (que existe apenas para vender mais uns quantos baldes de pipocas e refrigerantes!) é que lá se deram ao trabalho de arranjar a coisa! Bolas amigos, pago quase 6 euros para ir ao cinema e nem direito ao básico tenho...

Classificação: 8/10 (não tendo em conta o 3D)

Friday, 20 January 2012

The Girl With the Dragon Tattoo

(IMDB)
 
Título Original: The Girl with the Dragon Tattoo
Realizador: David Fincher
País de Origem: USA, Suécia, UK, Alemanha
Ano de Estreia: 2012

Sinopse
A adaptação do romance sueco de Stieg Larsson, segue a vida do jornalista desacreditado, Mikael Blomkvist (Daniel Craig), enquanto ele investiga o caso do desaparecimento, há já 40 anos, da sobrinha de um milionário. Mikael encontra na hacker punk Lisbeth Salander (Rooney Mara), a assistente ideal para o ajudar. Mas à medida que vão descobrindo novas pistas, Blomkvist and Salander desenterram um mal muito mais profundo do que alguma vez imaginaram...

Comentário
Antes de mais, tenho que dizer que ainda não tive a oportunidade de ler os livros todos da trilogia de Stieg Larsson (apenas tive tempo para ler parte do primeiro), mas fiz questão de ver as adaptações suecas dos livros. Sabia portanto o que esperar do filme de Fincher ao entrar na sala de cinema ontem à noite...

Gostei particularmente da forma mais humana como os personagens foram abordados na adaptação de Fincher, nota-se um maior cuidado de abordar as relações humanas, as falhas, as tragédias que afectam os protagonistas. 

A Lisbeth Salander de Rooney Mara, passa mais facilmente a mensagem de fragilidade por baixo de um exterior ameaçador que Noomi Rapace. São as duas um bom complemento para se perceber melhor a dimensão deste personagem, mas Mara conseguiu mostrar melhor a verdadeira essência de Lisbeth. (vou tentar não falar muito da adaptação sueca aqui pois pretendo fazer um comentário à parte para ela). Só esperava era ver um pouco mais do passado de Lisbeth, mas acredito que o próximo realizador saberá certamente como nos apresentar a essa parte da vida de uma das personagens femininas mais marcantes da última década em ficção!

Daniel Craig foi brilhante que juntamente com o resto do elenco, conseguiram reproduzir o ambiente e as personalidades nórdicas dos personagens que povoam a obra de Stieg Larsson (quem já esteve na Suécia ou num país nórdico percebe o que quero dizer).

A Banda Sonora a cargo de Trent Raznor (que também compôs a premiada banda sonora do filme "The Social Network") é brilhante na melancolia que imprime ao filme. É tão orgânica que raramente nos distrai do filme e dos detalhes que fazem toda a diferença para compreender o fio condutor das vidas conturbadas que ficamos a conhecer de forma tão profunda no decurso do filme. É daquelas bandas sonoras que se a tentarmos ouvir sem ver o filme, sem ver os sons ligados à acção, às cenas, não faz qualquer sentido... mas após sair da sala de cinema, tentar ouvir as composições de Raznor é algo bastante perturbador e completamente diferente...

Posso afirmar que David Fincher conseguiu fugir à tentação de fazer um remake dos filmes suecos, conseguiu com sucesso dar uma nova dimensão à história de "The Girl With the Dragon Tattoo", não se sobrepondo aos filmes que já existiam. Alguém que já viu a trilogia cinematográfica nórdica, pode ir ver esta adaptação e esperar novos elementos e  uma abordagem diferente à matéria prima de Stieg Larsson...

Claramente um filme a não perder, uma trilogia a acompanhar com expectativa e um argumento incompatível com estômagos fracos...


Classificação: 10/10

Tuesday, 17 January 2012

A Trilogia da Vingança de Park Chan-wook

No ano em que se assinala uma década da estreia do primeiro filme de uma das Trilogias mais marcantes do cinema (e também uma das mais premiadas!), recupero um dos artigos que mais gozo me deu escrever...

Sympathy for Mr Vengeance - 2002



Bem-vindos à vida de Ryu (Sin Ha-gyoon – Thirst, No Mercy for the Rude), um jovem surdo, e a sua irmã, que precisa urgentemente de um rim. O patrão de Ryu, Park (Song Kang-ho – The Host, Thirst), acaba de o despedir e ele não consegue pagar a operação, por isso e juntamente com a namorada (Bae Doona – Air Doll, The Host), criam um plano para raptar a filha de Park. Mas as coisas correm horrivelmente mal, e a partir daí um ciclo imparável de morte e vingança começa....

Revenge Was Never This Sweet

O primeiro filme da Trilogia trata de Justiça. Ao longo do filme o espectador é incapaz de se desligar do sofrimento dos personagens principais: do pai desesperado por encontrar e punir os criminosos que lhe raptaram a filha e do irmão surdo despedido no preciso momento em que a irmã necessita de um transplante vital de um rim.

As interpretações geniais de Song Kang-ho e Sin Ha-gyoon (ao longo da carreira de Park, estes dois actores aparecem recorrentemente, sendo mesmo considerados “musas” para o trabalho do realizador, da mesma forma que Johnny Depp está para Tim Burton), são geniais e são sem dúvida o ponto mais alto de todo o filme, fazendo o espectador viver todo os percalços e sentir genuinamente a ambiguidade do argumento, ficando dividido entre as lutas dos dois protagonistas.

Se por um lado é injusto o despedimento de Ryu por Park, impedindo-o de pagar a operação da irmã, também é injusto o rapto da filha de Park.

Depois de ver este filme fica connosco uma incómoda pergunta: Até onde éramos capazes de ir por vingança, para vingar as pessoas que amámos?


Oldboy - 2003



Um homem vulgar é raptado e preso numa cela durante 15 anos sem qualquer explicação. Entretanto, é libertado, dão-lhe dinheiro, um telemóvel e roupas caras. Enquanto tenta encontrar uma explicação para o seu imprisionamento e conseguir a sua vingança, ele rapidamente descobre que o seu captor tem ainda planos para ele, mas esse último plano, será o culminar de 15 anos de sofrimento e não se pode voltar atrás.

15 years of imprisonment, five days of vengeance

Numa noite chuvosa, em que um homem alcoolizado (Choi Min-sik) é detido pela polícia por distúrbios, na noite a sua única filha faz anos, o seu melhor amigo paga-lhe a fiança e liberta-o. Mas durante uma chamada numa cabine telefónica, Oh Dae-Su desaparece sem deixar rasto...

Assim começa um dos filmes mais marcantes da década...

A partir do manga japonês homónimo – publicado de 1996 a 1998, em 8 volumes – veio a inspiração para a criação de toda a trama tecida em torno do personagem Oh Dae-su. Depois foi só juntar a prodigiosa mente de Park Chan-Wook, que neste segundo filme da Trilogia, não desilude e presenteia o espectador com cenas poderosas e marcantes, aliadas ao choque de vontades, moralidades e a sempre chocante capacidade e inclinação do ser humano em corromper, subverter e destruir tudo em seu redor.

Dos filmes que compõem a Trilogia da Vingança, “Old Boy” foi de longe o mais premiado, com prémios arrecadados um pouco por todo o mundo, sendo aclamado pela crítica como um dos melhores filmes dos últimos anos, mostrando o Homem tal como é, sem pretenciosismos, nem psicologia barata...


Sympathy for Lady Vengeance – 2005



Após uma pena de 13 anos pelo rapto e assassínio de um menino de 8 anos, a jovem Lee Guem-ja (Lee Young-ae – Joint Security Area, Fun Movie), procura vingança sobre o homem que realmente cometeu o crime pelo qual foi acusada. Com a ajuda das antigas companheiras de cela, Geum-ja procura redenção através da vingança. Mas será que vingança trás consigo a paz que Geum-ja tanto deseja?

Lee Geum-Ja, have mercy on us...

Este é o capítulo de encerramento da Trilogia da Vingança, e depois deste filme sentimos, claramente, o fechar de um ciclo.

Este filme trata de redenção, justiça e como chegar até elas...

A libertação de Lee Geum-Ja, dá início a um elaborado plano de vingança, contra o verdadeiro culpado do crime pelo qual foi condenada...

Uma vez mais, Park Chan-wook, presenteia-nos com uma história ambígua, neste filme ao contrário dos dois anteriores, o espectador não quer sequer imaginar estar em alguma das situações criadas por Park.

São situações de tal forma limite, situações que dilatam e deformam a escala de valores, que só mesmo quando confrontados com elas é que se seria capaz de entender a magnitude dos actos de vingança de Geum-Ja.

Neste filme, assistimos ao discreto regresso de alguns de alguns actores dos dois filmes anteriores (Song Kang-Ho, Choi Min-sik e Sin Ha-gyoon), em pequenos papéis secundários, ficando a sensação de continuidade e de fecho de um ciclo com gSympathy for Lady Vengeanceh.

Após a estreia estrondosa nos cinemas deste filme, Park Chan-Wook, editou uma nova versão que apenas foi exibida em alguns cinemas da Coreia do Sul, “Lady Vengeance – Fade to black and white version”. Tal como o nome indica, o filme começa em full technicolor e de forma gradual vai “perdendo” as cores, chegando ao final completamente a preto e branco.




A Trilogia da Vingança de Park faz parte da lista restrita dos filmes obrigatórios a ver, que retratam de forma inteligente, sem cair em pretenciosismos a verdadeira essência do que é ser Humano, do que somos capazes de fazer quando confrontados com situações limite, em que não podemos escapar, apoiados às falsas moralidades impostas pelas pseudo-sociedades humanas, que se esquecem que não somos criaturas lineares mas altamente complexas, que regra geral fogem à suposta “normalidade”.

Park Chan-wook é tão genuíno como o seu trabalho, e esta Trilogia é sem dúvida uma raridade, pois é bastante complicado ver coerência em trabalhos desta complexidade e filmados em alturas diferentes da vida das equipas envolvidas.

O mais curioso é mesmo, o facto que nenhum dos filmes que constituem a Trilogia de Park Chan-Wook, ter sido pensado e produzido como parte integrante de uma Trilogia, mas sim como produções independentes. Posteriormente, e rendendo-se à forma como o público se referia ao seu trabalho, Park adoptou essa classificação, tornando-a oficial. É um raro exemplo de uma Trilogia que não o era até tudo estar pronto e exibido, e que só depois aquando dos lançamentos em DVD de cada um dos filmes, é que os três apareceram oficialmente ligados...

Qualquer espectador mais atento consegue identificar facilmente o fio condutor destas três produções: a condição humana e a sua natureza intrínseca sempre como pano de fundo e o quão longe, mesmo o homem mais vulgar e desinteressante é capaz de ir para conseguir vingança e redenção. Temos também uma série de cameos (presenças não creditadas) de vários actores dos três filmes, em cada um dos outros, interligando profundamente e de forma indelével as três histórias.

Se me pedissem para descrever cada um dos filmes da Trilogia da Vingança de Park, usando apenas e somente uma palavra, sem sombra de qualquer dúvida que seriam: Justiça, Vingança e Redenção.

Para quem gosta de bom cinema, com argumentos originais e espantosas interpretações...


Sunday, 11 December 2011

Eduardo Mãos de Tesoura

 (IMDB)

Título Original: Edward Scissorhands
Ano de Estreia: 1990
País: USA
Realizador: Tim Burton

Sinopse:
Era uma vez um castelo no topo de uma colina, onde vivia um inventor cuja maior criação é Edward. Apesar deste possuir um carisma irresistível, não é perfeito. A trágica e súbita morte do inventor deixou-o incompleto e dotado de afiadas tesouras por mãos.

Comentário:
Tim Burton criou um intemporal conto de fadas, que apesar de volvidos tantos anos, mais de vinte anos, ainda é capaz de tocar corações.
Tudo começa com um inventor que vive no topo de uma colina, mesmo na fronteira de um típico subúrbio americano, convenientemente chamado de Suburbia, e que cria Edward, um homem com mãos de tesoura.
Um dos primeiros trabalhos de Tim Burton como Produtor,em que claramente se presencia a génese do seu visual característico, esta produção é também a primeira colaboração entre Johnny Depp e Tim Burton dando início à sua mítica relação (Alice in Wonderland, Sleepy Hollow, Corpse Bride).
Apesar de ter tido já a oportunidade de ver o filme diversas vezes, nunca deixa de me surpreender pela intemporalidade e simplicidade da história e pela forma como esta fábula retrata as relações humanas e a natural sequência dos eventos, que mesmo que estejamos a contar com o que se irá passar, estámos sempre a torcer para que as pessoas pelo menos por uma vez, sejam capazes de ser boas e altruístas.
Tudo começa como um sonho para Edward (Johnny Depp), as cores, as pessoas, a simpatia de todos e a forma calorosa como é recebido por entre os habitantes de Suburbia. Mas à medida que cada um analisa as potencialidades do recém-chegado e a forma como podem pô-las a render para seu próprio benefício, aquelas características humanas que todos tentámos manter trancadas no nosso armário, vêm rapidamente à superfície e começam a provocar estragos. A inveja, a ganância e sobretudo o egoísmo de quem rodeia Edward fazem-no  desejar o isolamento do seu castelo decrépito, no cimo da colina.

Apesar de tudo, mesmo no meio de toda a confusão que se gera em torno de Edward, o amor pela filha da mulher que o acolheu, Kim (Winona Ryder) floresce e é ela quem o ajuda a escapar e a regressar a casa. Fugindo dos humanos e regressando ao isolamento em que sempre viveu, Edward passa a observar o mundo de cima e relembrando a sua breve passagem por Suburbia.
Desde os efeitos especiais, à caracterização de Depp, à própria forma com toda a produção foi conduzida (apesar de serem abordados temas sérios, está sempre presente de forma constante o característico humor negro de Burton), são simplesmente brilhantes e estámos, sem qualqluer dúvida na presença de um mais um clássico de Burton.
Além de um sem número de nomeações ( Caracterização, Melhor Tema Musical, Melhor Actor, etc), "Eduardo Mãos de Tesoura" conseguiu arrecadar alguns prémios:

Saturn Award - Best  Fantasy Film (1992)
Hugo Award - Best Fantasy Film (1991)
Sant Jordi Award - Melhor Filme Estrangeiro e Melhor Actriz Estrangeira (1991)

Classificação: 10/10

Monday, 14 November 2011

The Hunger Games

(IMDB)

Hoje foi divulgado o segundo trailer da adaptação cinematográfica da trilogia de Suzanne Collins, "The Hunger Games".

Eu ainda não tive a oportunidade de ler os livros mas já está na lista de compras do próximo mês a caixa da trilogia que está à venda na minha desgraçada Amazon.co.uk a um preço demasiado tentador para deixar passar (cerca de £12). #DOOM


Num futuro pouco distante, a América do Norte colapsou, fragilizada pela seca, fogo, fome e guerra sendo substituida por Panem, um país dividido em 12 distritos e no Capitólio. Todos os anos dois jovens representantes de cada distrito são seleccionados por sorteio para participar nos "The Hunger Games".

Esses jogos são parte entretenimento, parte intimidação brutal dos distritos que vão sendo subjugados pelos mais forte, estes jogos são transmitidos por todo Panem. Os 24 participantes são obrigados a eliminar os seus adversários, com todos os cidadãos a assistir.

Quando a irmã mais nova de Katniss (Jennifer Lawrence), Prim, é seleccionada para representar o seu ditrito, Katniss oferece-se como voluntária para substituir a irmã. Ela e o seu companheiro Peeta (Josh Hutcherson) terão agora de encarar adversários bem mais fortes e preparados para os "The Hunger Games".

May the odd be ever in your favor

A Estreia está marcada para 23 de Março de 2012 nos EUA.

Novo trailer divulgado hoje:


Wednesday, 19 October 2011

Sherlock Holmes: A Game of Shadows

(IMDB)

Sherlock Holmes e Dr. Watson juntam-se novamente para derrotar o seu maior adversário, o Professor Moriarty...

Este é um dos filmes que me faz pular de alegria, de cada vez que me lembro que está prestes a estrear! Adorei o primeiro e tenho andado em pulgas à espera do próximo! E aqui está ele, com estreia marcada para 5 de Janeiro de 2011, nos cinemas portugueses. 

Hoje foi lançado o segundo trailer do filme, com a confirmação que Irene Adler vai regressar e finalmente Sherlock e Watson conhecem a face de Moriarty:


Saturday, 24 September 2011

Fright Night


Título Original: Fright Night
Ano Estreia: 2011
País: USA
Realizador: Craig Gillespie
 
Um remake do original de 1985, em que o jovem Charley Brewster (Anton Yelchin) descobre que o seu novo vizinho Jerry Dandrige (Collin Farrel) é o vampiro responsável pelo recente desaparecimento de muitos dos seus colegas de escola. Quando ninguém acredita nele, Charley procura ajuda junto do místico e auto-proclamado caçador de vampiros Peter Vincent (David Tennant). Juntos tentam derrotar Jerry e a sua prole...

Quando o remake de "Fright Night" foi anunciado, os fãs do género todos se questionavam quanto à necessidade de uma nova toma da história do vampiro Jerry e de Charlie. Mas com um elenco de estrelas, este remake conseguiu algo quase inédito: surpreender os fãs pela positiva.


De destacar o papel exuberante protagonizado por David Tennant, na pele do místico Peter Vincent. A sua interpretação e química com Anton Yelchin (Charlie Brewster) é mesmo o ponto mais positivo, conferindo algo a "Fright Night" que o ajudará a destacar por entre as fileiras de filmes de terror e legiões de remakes que inundam agora as nossas salas de cinema.

Há muito que não havia um filme capaz de me fazer pular na cadeira de cinema, mas "Fright Night", apesar do tom cómico proporcionou-me um bom susto! Kudos para Craig Gillespie, o realizador deste remake!

Uma nota de desagrado: Apesar de realmente ver algum aproveitamento da tecnologia 3D neste filme (coisa que por vezes é inexistente em muitos dos proclamados filmes que incluem estas duas letras no seu título), uma vez mais é de lamentar que o espectador não tenha a hipótese de escolher entre uma versão 3D e um 2D. Além dos custos acrescidos, as distribuidoras esquecem que existem alguns cinéfilos não toleram a tecnologia tão em voga (que causa em muitas pessoas náuseas e mal-estar). Um dos sintomas que nem tudo vai bem no país do 3D, são as salas vazias ou a meio gás das películas que usam e abusam deste conceito!

Classificação: 7/10

Tuesday, 12 July 2011

Invasão Mundial: Los Angeles



Título Original: Battle: LA
Ano Estreia: 2011
País: USA
Realizador: Jonathan Liebesman

Na base militar de Camp Pendleton, em Los Angeles, um grupo de fuzileiros é chamado para uma missão urgente de resgate de civis na zona costeira de Santa Mónica, Los Angeles, ameaçada por uma violenta chuva de meteoritos. Porém, o que parecia uma luta contra os elementos, torna-se em algo aterrador quando os militares e toda a população se apercebe que, afinal, o planeta está a ser invadido por naves alienígenas. Com o propósito de usurparem toda a água do planeta, os extraterrestres não hesitam em aniquilar toda e qualquer forma de vida na Terra. E é assim que, liderado pelo sargento Michael Nantz (Aaron Eckhart), aquele grupo vai levar os seus esforços e a sua coragem ao limite para salvar toda a Humanidade.


Realizado por Jonathan Liebesman ("Terror na Escuridão", "Massacre no Texas - O Início"), Battle: Los Angeles foi um dos filmes da época a ser fortemente criticado por ser um “filme-campanha”. Acentuando o autismo das indústrias cinematográficas americanas.
O que fez criar grande expectativa em torno de mais um filme de extraterrestres, foi a galáctica e viral campanha de marketing que durante meses divulgou na web um sem número de teasers, trailers e posters que fizeram subir grandemente a fasquia aos amantes deste género de filmes.

Battle: Los Angeles não é certamente o primeiro filme-campanha saído do país das “stars and stripes”, pois na última década se agudizou e, os cinemas foram inundados por produções que de uma forma, mais ou menos explícita, exaltam a bravura americana e o orgulho de fazer parte da família do “uncle Sam”. Ela é bandeiras desfraldadas no topo do Empire State Building, ou aqui e ali em local de destaque, ela é a manifestação da superioridade americana sobre terrestres e extraterrestres ou então são quase sempre a última das esperanças da sobrevivência da espécie humana.

Battle: Los Angeles é por isso mais um culminar de uma forte campanha de motivação claramente vocacionado para moralizar uma nação atacada por terroristas, especuladores imobiliários e economistas de Wall Street.

Mas apesar de tudo e tentando abstrair-nos um pouco das motivações escondidas nas entrelinhas do argumento e do orçamento (financiamento directo de entidades militares), Battle: Los Angeles tenta mostrar o lado mais humano dos homens e mulheres que lutarão por nós se algo correr mal... explora os seus medos, as suas dúvidas e as suas díficeis tomadas de decisão quando chega o momento. Mas Liebesman não soube reconhecer os limites da lamechice e muitas vezes cenas em contextos perfeitamente banais descambam de forma surpreendente. Aí nota-se claramente que muitas dessas cenas foram apenas filmadas e construídas com o objectivo de puxar a lágrima aos espectadores, por vezes nota-se a descontextualização e a quebra de ritmo causado por esses retalhos...provocando o tão típico “eye-roll”.

Um dos pontos mais positivos do filme é o trabalho de Aaron Eckhart que quase sozinho, tenta aguentar quase todo o filme com um argumento menos bem conseguido e pouco aprofundado.


A salientar que o desfecho do filme e do resolver de uma situação quase sem solução em apenas um punhado de minutos, apenas recorrendo a facilidades Hollywoodescas...este pormenor final ajuda a destruir o pouco suspense que pudesse ter sido construído até áquele ponto.

Fica portanto o saor amargo de um filme que prometeu tanto e no final deu tão pouco, a quem pulava em casa de cada vez que a equipa de marketing divulgava qualquer tidbit para a web. Não é um filme memorável mas quando visto de espírito aberto, cumpre a sua função mais básica e primordial que é oferecer ao espectador um bom par de horas de entretenimento puro e muitas explosões.

Classificação: 6/10
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