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Monday, 21 April 2014

Diário de um Kindle – 3 anos depois

Já lá vão mais de dois anos de kindle (quase três aninhos) e eu sem partilhar aqui como tem sido a experiência. A culpa foi do vapor, do Byron, do winepunk e do meu regresso às lides académicas, como já aqui disse, mas agora arregaço as mangas e lanço-me a analisar a minha escolha de ereader (que puderam acompanhar passo-a-passo aqui neste meu cantinho) e como tem sido.


Depois de um ano de poupanças e meses de pesquisa para me decidir quanto ao modelo que melhor se adequaria às minhas necessidades, lá comprei o Kindle 4 (o mais básico de todos os modelos disponíveis na altura). Desde o momento em que o liguei pela primeira vez e com algum fascínio vi os livros que havia adquirido no site da Amazon a serem imediatamente sincronizados mal configurei a rede wireless, até a este momento em que escrevo não existiu um único segundo em que dissesse para os meu botões “Bolas, não era nada disto que queria. Melhor, melhor era se... [inserir funcionalidades e características]”


Um mês depois de ter o kindle, tive um pequeno acidente e o ecrã estalou ficando com um pequeno derrame no monitor (desconfio de um lápis que andava perdido na minha mala), tive um pequeno (grande) ataque de pânico e pensei bem lá vou ter de trocar o kindle (e isso implicava enviá-lo à Amazon e possivelmente ficar sem ele até 90 dias úteis), mas em mais de dois anos de utilização para lá de intensiva, a mancha não alastrou nem derramou, como é num local em que não perturba a leitura desisti da troca.


Os 4Gb de memória chegaram?
Então não, nunca tirei livros do meu kindle desde que o comprei e estou sempre a colocar mais lá. Já perdi a conta dos livritos que para lá estão e começo a pensar que é altura de fazer uma limpeza e perder um tempinho a organizar as minhas listas de livros para saber onde estão os meus autores/géneros favoritos.

Deixei de comprar livros físicos...
Mito. É um mito (e eu sabia mas bem, pronto, a modos que até acreditei por segundos que sim, iria comprar menos livros ^^). 



Mudei foi de hábitos de compra/consumo, aqueles livrinhos mass market paperbacks que costumava comprar 2/3 por mês, deixei de o fazer e agora compro apenas para terminar um par de séries que já tinha começado (Kresley Cole, J.R.Ward e Julia Quinn).De resto passei a investir em livros melhores (ultimamente tenho comprado a série Psy-Changelling da Nalini Singh e optei pelos livros mais caros, com capas mais bonitas em vez dos Mass Market Paperbacks) e que não “resultam” tão bem num ereader, graphic novels e manga (finalmente posso terminar as minhas sagas de manga, sem aumentar ao orçamento).



Com o meu regresso à Faculdade, o kindle tornou-se um parceiro indispensável para ler os apontamentos e sebentas, agora não preciso imprimir tudo tudo para conseguir estudar (o brilho dos ecrãs de computador são um dos grandes inimigos dos pobres olhos, e ler para mim é um suplício se tiver de o fazer muito tempo).

Mas vou ter de comprar ebooks para utilizar o kindle.
Com os clássicos e freebies da Amazon, Smashwords e plataformas de publicação de livros, comprei muito poucos ebooks, sigo sites que enviam newsletters com os livros gratuitos do dia/semana e vou gerindo assim a minha utilização do kindle, há um par de meses consegui mesmo um livro do Neil Gaiman completamente gratuito pela Amazon :D É mesmo uma questão de estar atenta às promoções e lançamentos.

Existem ainda projectos que se dedicam a editar e publicar livros clássicos de forma gratuita (Project Gutenberg (Obras em Domínio Público a nível global), Projecto Adamastor (Obras portuguesas em Domínio Público), etc) e podemos assim usufruir de tudo quanto desejarmos.

Mas não tem teclado.
Em dois anos de uso nunca lhe senti a falta, para as poucas vezes que necessito de utilizar o teclado virtual foi uma questão de hábito. Não, não é tão prático, mas é um ereader não uma tablet. Eu vou ler com ela, não tirar notas excessivamente longas nem fazer dissertações.

A Internet.
Foi uma das surpresas agradáveis depois da compra. Estava a contar com um browser bastante limitado e com pouca capacidade de resposta, mas através dele (ainda experimental segundo a Amazon) podemos aceder a virtualmente todas as páginas de internet (se bem que eu aconselho acederem as suas versões mobile – p.e. Goodreads, Booklikes, Twitter, Gmail e Facebook – a navegação é menos penosa se as usarmos) e para além de alguma lentidão expectável e claro de estar tudo a preto e branco, para uma utilização pontual o kindle dá uma resposta competente às necessidades de quem enquanto lê, por vezes vai espreitar o seu Twitter ou o email.

Concluindo...

Se fosse hoje, compraria novamente este modelo e (re)faria o investimento num ereader. Como dizia o Stephen Fry “da mesma forma que as escadas não desapareceram com o aparecimento dos elevadores, também os livros não irão desaparecer por causa dos ebooks”.

Para mais capítulos do Diário de um Kindle-- > Link

Saturday, 22 June 2013

Gantz - Live-action (Parte I)


Título Original: Gantz
Director: Shinsuke Sato
País de Origem: Japão
Ano de Estreia: 2011

Sinopse:

O estudante universitário Kei Kurono (Ninomiya Kazunari) reconhece o amigo de infância Kato Masaru (Matsuyama Ken'ichi) enquanto este tenta ajudar um homem que caiu na linha do metro. Quando Kato vê o amigo na plataforma de embarque, Kurono sente-se compelido a ajudar, o comboio aproxima-se e não irá parar naquela estação...


Juntos tiram o homem da linha mas não têm tempo de também eles se porem em segurança, e juntos vêm a aproximar-se o comboio que lhes irá tirar a vida... Quando abrem os olhos os dois encontram-se num apartamento vazio, na sala desse apartamento apenas existe uma grande esfera negra e pessoas que como eles deveriam estar mortas.

A esfera no apartamento é Gantz, a sua missão: coordenar as pessoas dentro do apartamento em missões de vida e de morte para exterminar extraterrestres que se escondem na Terra.


Pessoas normais de todas as idades, são obrigadas a lutar contra criaturas estranhas, usando armas futuristas e fatos que lhes conferem capacidades sobre-humanas.

Comentário:
Gantz foi baseado no manga com o mesmo nome, escrito por Hiroya Oku (os seus 37 volumes venderam mais de 175 milhões de cópias um pouco por todo o mundo) e há muito que os fãs esperavam peas adaptações live-action.

Um pequeno aviso à navegação: eu sou imensamente parcial quanto a Gantz. É dos meus manga favoritos e que tive também a oportunidade de acompanhar em real time e desde o início. You've been warned. :)

Começo por dizer que estas adaptações de Gantz para o grande ecrã, encabeçam a lista dos melhores live-action de sempre. Respeitam a história (fazendo os necessários ajustes para que funcione no tempo reduzido dos filmes e visualmente no grande ecrã) e o vibe da história original. Quase toda a acção é durante a noite ou então durante o pôr-do-sol, usando e abusando dos tons escuros e sufocantes. O feel do manga e também nestes live-action mimetiza de forma perfeita a situação dos escolhidos por Gantz, são reféns da grande esfera negra naquela sala num apartamento de Tóquio e nada podem fazer, a não ser lutar e conseguir 100 pontos... ou morrer a tentar.

O manga de 37 volumes foi publicado entre os anos 2000 e 2013 (o último capítulo de Gantz foi publicado no passado dia 20 de Junho), é um dos mangas mais vendido dos últimos anos e em 2008 foi considerado o melhor seinen do ano juntamente com Black Lagoon (outro dos meus favoritos).

O primeiro filme de Gantz estreou em Janeiro de 2011 e a partir do momento em que ouvi os nomes dos actores que encabeçavam o elenco, senti que estavamos prestes a ver finalmente adaptações competentes desta história, pois com nomes tão sonantes como Matsuyama e Nanomiya a bordo, a equipa não poderia dar-se ao luxo de repetir os erros cometidos nos live-action de Death Note (que irei publicar análise aprofundada mais tarde).

Neste primeiro filme conhecemos Gantz e descobrimos o seu propósito de destruir extraterrestres que se escondem na Terra. Assistimos à morte e regeneração de Kurono e Kato e ficamos a saber as motivações de cada um para sobreviver e lutar.


O mundo de Gantz não é apenas gore, sangue, estraterrestres monstruosos e engenhocas futuristas (que com muita pena minha não foram muito diversificadas, os criadores dos filmes ficaram-se pelas armas e pelas espadas), Gantz é acima de tudo uma história sobre pessoas normais, que devido a um acaso do destino foram obrigadas a se adaptar a circunstâncias extraordinárias.


As primeiras batalhas a que assistimos no filme, roçam o patético, em que por vezes dava por mim a querer esbofetear alguém: o alvo está à frente do nosso herói desarmado e parado, porque raio não dispara ele? Porque não reage e fica ali a olhar? A resposta é simples: o que faríamos nós numa situação idêntica, quando deparados com extraterrestres, armas desconhecidas e fatos que parecem saídos de uma convenção de cosplay? Duvido que fossemos capazes de muito melhor...


O orçamento milionário de Gantz possibilitou a recriação de algumas armas e engenhos que vemos no manga de forma extraordinária e fiel aos desenhos originais e com muito detalhe.


A peça principal do equipamento dos escolhidos de Gantz é o fato que além de servir como protecção, também ele pode ser usado como uma arma, pois confere agilidade e força sobre-humana ao utilizador. Tal como as armas, o cuidado com os detalhes é notório e devo dizer que era o que mais temia nas adaptações, pois este fato tinha todo o potencial para "correr mal" ao ser transposto para live-action (casos desastrosos de adaptações começam exactamente por fatos demasiado "costumy", não sendo minimamente credíveis como ferramentas efectivas de defesa/ataque.)

Trailer:


(Continua na próxima semana)

Monday, 20 May 2013

Hotaru no Hikari - Season 1




Título Original: ホタルノヒカリ
Actores: Ayase Haruka, Fujiki Naohito e Kato Kazuki
Ano de Estreia: 2007 (NTV)
Nº de Episódios: 10 (c.45min.)


Sinopse:

Hotaru trabalha para uma grande empresa de decoração de interiores, uma típica OL (Office Lady), mas por detrás do trabalho glamorodo de Hotaru a sua vida privada é o completo oposto da imagem que passa fora de casa.

Amemiya Hotaru vive sozinha, e quando não está a trabalhar adora preguiçar de fato de treino na sua casa alugada. Não está minimamente interessada em homens, ou sair, o alpendre da sua casa é o seu mundo... de facto, ela não se interessa por nada, nada que dê muito trabalho. O seu mote é "I'd rather lay around than fool around".



O senhorio de Hotaru é o dono de um bar, e numa noite de copos, ele e Hotaru combinam um contrato de arrendamento "para sempre"... um dia o filho do senhorio sem saber deste acordo e depois de se separar da mulher, decide ir viver para a casa dos pais. Para sua surpresa encontra a casa em caos e no meio desse caos encontra a empregada Hotaru.

Comentário:
Baseado no manga homónimo - Hotaru no Hikari - este drama de 10 episódios leva-nos numa viagem pela vida de Amemyia Hotaru uma jovem mulher com cerca de 20 anos no Japão dos nossos dias.

Antes de mais devo dizer que tenho um especial carinho por esta série. Foi provavelmente das primeiras séries japonesas que vi, algures em 2009 e devo dizer que o amor foi imediato.


A identificação com a personagem principal, Amemyia Hotaru, interpretada por uma das actrizes mais talentosas do Japão, Ayase Haruka (JIN, Ichi) é imediata e duvido que encontre alguma mulher que não se tenha sentido um pouco como Hotaru em alguma fase da sua vida.

Aquando da exibição da série, o êxito foi tal que deu origem a uma segunda temporada exibida em 2010 e no ano passado saiu um filme. Devo relembar que no Japão (e países orientais com produção televisiva deste nível como China e Coreia do Sul) a "ocidental" tradição de infindáveis temporadas não acontece e geralmente as séries têm um número predefinido de episódios e ficam por aí. As histórias são trabalhadas pra um número finito de episódios pré-estipulados o que permite aos espectadores acompanharem histórias do principio ao fim e sem grandes desvios ao plot original.

Hotaru foi das primeiras a voltar para uma segunda temporada.

Um dos pontos fortes desta série é sem dúvida a química e a relação entre Hotaru e o seu chefe, Takano Seiichi (interpretado por Fujiki Naohito).




O terceiro vértice deste triângulo amoroso, Teshima Makoto (interpretado por Kato Kazuki) faz com que Hotaru finalmente tenha motivação para se destacar por entre a equipa do seu departamento e tente conquistar o recém-chegado Makoto. Aqui uma pequena nota, quanto à inexperiência do actor escolhido para ser o interesse amoroso da protagonista, a inexpressividade de Kazuki impede a criação de qualquer empatia com o personagem. Fica o after-thought, se esta postura/atitude é ou não intencional.
A forma insinuada e discreta como a relação entre Takano e Hotaru se desenvolve, é O ponto forte da série, foi das coisas que mais me tocou e que ainda hoje me faz voltar à série. A força que os dois transmitem um ao outro de forma inconsciente apesar das constantes discussões por causa do caos e da desarrumação de Hotaru.

Com a ajuda de Takano, a protagonista deixa para trás uma vida de himono-onna (himono é o nome que se dá ao peixe seco e onna é mulher em japonês) e passa a ser uma rapariga admirável que compete pelo homem que ama.





Na minha opinião, o sucesso de Hotaru reside 1º na relação e química entre os protagonistas; 2º no retrato da vida de uma OL, admirável e composta sem espaço para serem elas mesmas devido às pressões sociais e ao estereótipo da mulher perfeita dentro e fora de casa que ainda hoje os japoneses cultivam. Hotaru no Hikari mostra que uma mulher competente no seu emprego pode usar fato de treino e relaxar em casa, bebendo directamente da lata a sua cerveja favorita.

Apesar do humor e da forma um pouco leviana como é abordada a temática, Hotaru no Hikari não deixa de ser uma forma inteligente de crítica à forma como a sociedade japonesa espera que uma rapariga se comporte e apresente.

Uma história escrita por uma mulher, sobre uma mulher e para mulheres...

Classificação: 9,5/10

Friday, 3 May 2013

Jin - Season 1




Título Original: JIN-仁-
País de Origem: Japão
Ano de Estreia: 2009 (TBS)
Actores: Osawa Takao, Ayase Haruka, Nakatani Miki
Nº de Episódios: 11 (c. 45 min.)

Sinopse:
 
A história segue o neurocirurgião Minakata Jin, que passou os últimos dois anos em angústia, pelo falhanço da sua cirurgia à noiva, deixando-a num estado vegetativo. Um dia, enquanto Jin persegue um doente que tenta fugir do hospital, cai e quando acorda descobre que viajou para o ano 1862, no final da era Edo. Um samurai ataca-o, mas um jovem chamado Tachibana Kyotaro sava-o da morte certa.

Durante a luta o jovem sofre um ferimento na cabeça e Jin vê-se obrigado a salvar a vida dele, apesar das limitações que encontra a nível tecnológico e da oposição da mãe de Kyotaro que desconfia da medicina que Jin pratica. Mas a irmã do jovem samurai fica impressionada com Jin e mesmo contra  a vontade da mãe, torna-se assistente e seguidora do médico que uma noite apareceu com o irmão, e pratica uma forma fascinante de medicina.


Entretanto, Jin não desiste de tentar encontrar uma forma de regressar ao presente, para junto da sua noiva Miki...

Comentário:



Baseado no manga homónimo - JIN - este drama de 11 episódios leva-nos numa viagem pelo Japão, cerca 1862, no fim da Era Edo e no início do Bakumatsu. 

Osawa Takao (Goemon, Ichi) é Minakata Jin, um neurocirurgião a tentar aprender a viver sem a noiva, que devido a uma operação que o próprio orientou ficou em coma. Num golpe do destino, Jin é transportado do ano 2009 até à Edo (antigo nome de Tóquio) de 1862, aí usando os seus conhecimentos médicos salva um jovem samurai que lhe dá abrigo como sinal de gratidão.

A irmã desse samurai, Tachibana Saki (interpretada por Ayase Haruka - Ichi, Hotaru no Hikari) torna-se o seu braço direito e juntos transformam a medicina japonesa...


Um dos pontos positivos desta série é sem dúvida a química entre os protagonistas. Osawa e Ayase haviam já trabalhado juntos em Ichi e a química entre os dois dá uma nota emocional e de âncora ao viajante temporal Jin, que apesar de ainda tentar com as alterações que faz no passado aumentar as hipóteses de sucesso no tratamento da sua noiva em coma, lentamente converge para Saki ficando, mesmo de form inconsciente ligado a ela. 


Alterando o destino de Saki, também o destino de Jin é alterado. Regressar ao seu tempo deixa de ser um motivo de tensão e lágrimas e aceita o que lhe aconteceu, cumprindo o juramento de Hipócrates (criando penincilina antes do tempo, travando um surto de cólera e ajuda a combater a sífilis com tratamentos modernos usando o que dispõe) e vive no meio de personagens históricas como Sakamoto Ryoma de quem se torna amigo.

De uma forma inteligente e emotiva acompanhamos as dúvidas eticas e morais de um médico preso numa época em que a medicina é ainda muito rudimentar e muitos morrem de doenças e ferimentos que facilmente podem ser tratados pela medicina moderna. Jin deve ou não intervir e alterar destinos de pessoas que deveriam morrer naquele momento?






 Não dou a pontuação máxima (apesar de Jin ter sido a série do ano, arrecadando prémios para melhor actor e actriz principal, melhor actor secundário e melhor série de drama, entre outros), porque os primeiros episódios se focam em demasia os procedimentos médicos, tornando-se um pouco repetitivo e artificial. Jin não pode sair da casa Tachibana sem ninguém sofrer um acidente e ele salvar o dia. À parte disso, que ao fim de 4 episódios está praticamente ultrapassado e a acção passa a focar-se no conflito de Jin trazer para o passado as técnicas da medicina moderna e as relações com os que tanto lutam para o ajudar.

É um drama que aconselho a quem deseja passar um bom bocado numa Edo que já não existe...

Classificação: 8/10

Sunday, 5 February 2012

Sapphique


Título Original: Sapphique
Autora: Catherine Fisher
Editora: Hodder Children's Books
Data de Publicação: 18 Setembro 2008 (UK)

Sinopse:
Finn escapou da terrível prisão Incarceron, mas a sua memória ainda o aterroriza, porque o seu "irmão" Keiro ainda se encontra no interior. Claudia, insiste que Finn é o herdeiro ao trono, mas ele não sabe sequer quem é. Será mesmo o príncipe Giles? Ou as memórias que o assaltam, são apenas construções do tempo em que esteve encarcerado? E como é que Finn pode ser livre se os seus amigos se encontram ainda presos? Podemos saborear a liberdade num mundo congelado no tempo?


No interior da prisão Incarceron, o feiticeiro louco Rix encontrou a luva de Sapphique, o único homem que a Prisão alguma vez amou. Sapphique, cuja existência fez com que Incarceron desejasse fugir à sua própria natureza... Se Keiro conseguir roubar a Luva, será que o seu mundo se irá desintegrar? Dentro. Fora. Todos desejam liberdade... como Sapphique.

Comentário:
Sapphique é a continuação das aventuras de Finn, Claudia e companhia que conhecemos em Incarceron. Agora Finn que escapou da prisão, juntamente com Claudia, tem que se habituar a um novo mundo e apesar de estar rodeado de liberdade e luxo é demasiado parecido com o mundo decadente e subversivo de Incarceron.

Catherine Fisher é uma mestre na arte da crítica de costumes e modas. Usando um mundo distópico e que à primeira vista nada tem que ver com qualquer país do mundo, à medida que mergulhámos no mundo de Sappique vamo-nos lentamente apercebendo dos pararelismos entre o mundo dentro e fora de Incarceron, e o mundo criado por Fisher e o "nosso". Todos existem assentes em ilusões de perfeição, juventude e moralidades ocas...

Os personagens que conhecemos em Incarceron, voltam mais maduros e tridimensionais (aprendem que por vezes o melhor é mesmo para para pensar e maquinar antes de agir, pois é isso que os seus adversários fazem. E conflitos não se resolvem apenas jogando limpo.)

Adorei a evolução do personagem do tutor de Claudia, Jared. Adorei ver um personagem secundário florescer e tomar o seu lugar ao lado de Finn e da sua pupila.

A história deste livro, gravita em torno da lenda de Sapphique - o único prisioneiro da prisão Incarceron a escapar - e na viagem de todos os personagens (dentro e fora da prisão) em busca dele. Assistimos a umas quantas reviravoltas que ainda hoje, meses passados desde terminar a leitura, me fazem refletir no génio imaginativo de Catherine Fisher...

Origem do Livro: Comprado no Book Depository 
Classificação: 8/10

Sunday, 29 January 2012

Underwold: Awakening


Título Original: Underworld: Awekening
País de Origem: USA
Ano de Estreia: 2012

Sinopse:
Quando os humanos descobrem a existência de Vampiros e de Lycans, inicia-se uma purga para erradicar ambas as espécies, sendo consideradas doenças contagiosas todos os infectados são imediatamente eliminados. Ambas as raças são forçadas a mergulhar na clandestinidade... Ao fim de 12 anos de cativeiro, Selene escapa e prova que por vezes o melhor é mesmo resistir e lutar!

Comentário:
Aviso à navegação - como já havia referido no meu meme "Guilty Pleasures", esta saga é um dos meus maiores Guilty Pleasures, por isso não se admirem se este comentário for tendencioso :P

O filme passa-se cerca de doze anos depois de Underworld: Evolution. E temos Selene (Kate Beckinsale) de volta e mais letal que nunca!

A heroína Selene é um dos marcos de filmes de vampiros e com este novo filme dá-se claramente origem a uma nova fase do franchise de Underworld (saí da sala de cinema com a sensação que vem aí uma nova trilogia, mas irei estar atenta a qualquer notícia para ver até que ponto estou certa).

Este quarto filme, veio restaurar um pouco a fé dos fãs em Underworld, isto depois do falhanço que foi o terceiro filme (sinceramente ainda não sei muito bem o que se passou ali)... Selene voltou, com mais kill power e vingança. Este filme tem mais explosões, um body count superior que nos dois filmes em que ela entra e acima de tudo um argumento muito mais estruturado, humano (ou vampírico conforme preferirem) em que se pode ver o lado mais emocional e profundo de um personagem que nos filmes anteriores não foi tão explorado. 

Considero Underwold: Awakening um filme mais maduro, mais ponderado (demonstrando o respeito que os realizadores têm pelo universo e pelos personagens que o habitam). Após nem 30 minutos do início do filme, subiu rapidamente para a posição de melhor filme da saga.

A banda sonora da autoria de Marco Beltrami, volta a destacar-se uma vez mais pela positiva. Tanto a score como a banda sonora propriamente dita (com várias contribuições de Renholder) refletem perfeitamente a atmosfera do filme.

Uma vez que tenho um fraquinho por esta saga, decidi arriscar mais uns trocos e ir ver a versão 3D... e que posso dizer?! Uma verdadeira desilusão!! O filme já de si é escuro (apenas continuando a tendência dos filmes anteriores), e como todos sabem os filmes convertidos em 3D na fase de pós-produção tornam-se ainda mais escuros (veja-se o caso do Avatar do Night Syamalan). Esta combinação é fatalmente infeliz neste filme, existiam cenas em que mal se distinguiam elementos importantes no filme. Existem cenas que estão muito bem conseguidas para 3D, de notar a cena do elevador, mas não compensa o dinheiro extra... terei mesmo que ir ver o filme novamente em 2D - isto se o conseguir encontrar em exibição nesse formato. Acho que como consumidor/espectador deveria ter essa hipótese de escolha, pois como já referi anteriormente, há pessoas que toleram mal a tecnologia 3D (eu por exemplo, em cenas 3D com muito movimento provocam-me por vezes sensação de enjoo).


Outra nota: é impressão minha ou os cinemas Lusomundo estão a perder qualidades?! A primeira parte do filme foi vista sem som surround e só depois do intervalo (que existe apenas para vender mais uns quantos baldes de pipocas e refrigerantes!) é que lá se deram ao trabalho de arranjar a coisa! Bolas amigos, pago quase 6 euros para ir ao cinema e nem direito ao básico tenho...

Classificação: 8/10 (não tendo em conta o 3D)

Friday, 20 January 2012

The Girl With the Dragon Tattoo

(IMDB)
 
Título Original: The Girl with the Dragon Tattoo
Realizador: David Fincher
País de Origem: USA, Suécia, UK, Alemanha
Ano de Estreia: 2012

Sinopse
A adaptação do romance sueco de Stieg Larsson, segue a vida do jornalista desacreditado, Mikael Blomkvist (Daniel Craig), enquanto ele investiga o caso do desaparecimento, há já 40 anos, da sobrinha de um milionário. Mikael encontra na hacker punk Lisbeth Salander (Rooney Mara), a assistente ideal para o ajudar. Mas à medida que vão descobrindo novas pistas, Blomkvist and Salander desenterram um mal muito mais profundo do que alguma vez imaginaram...

Comentário
Antes de mais, tenho que dizer que ainda não tive a oportunidade de ler os livros todos da trilogia de Stieg Larsson (apenas tive tempo para ler parte do primeiro), mas fiz questão de ver as adaptações suecas dos livros. Sabia portanto o que esperar do filme de Fincher ao entrar na sala de cinema ontem à noite...

Gostei particularmente da forma mais humana como os personagens foram abordados na adaptação de Fincher, nota-se um maior cuidado de abordar as relações humanas, as falhas, as tragédias que afectam os protagonistas. 

A Lisbeth Salander de Rooney Mara, passa mais facilmente a mensagem de fragilidade por baixo de um exterior ameaçador que Noomi Rapace. São as duas um bom complemento para se perceber melhor a dimensão deste personagem, mas Mara conseguiu mostrar melhor a verdadeira essência de Lisbeth. (vou tentar não falar muito da adaptação sueca aqui pois pretendo fazer um comentário à parte para ela). Só esperava era ver um pouco mais do passado de Lisbeth, mas acredito que o próximo realizador saberá certamente como nos apresentar a essa parte da vida de uma das personagens femininas mais marcantes da última década em ficção!

Daniel Craig foi brilhante que juntamente com o resto do elenco, conseguiram reproduzir o ambiente e as personalidades nórdicas dos personagens que povoam a obra de Stieg Larsson (quem já esteve na Suécia ou num país nórdico percebe o que quero dizer).

A Banda Sonora a cargo de Trent Raznor (que também compôs a premiada banda sonora do filme "The Social Network") é brilhante na melancolia que imprime ao filme. É tão orgânica que raramente nos distrai do filme e dos detalhes que fazem toda a diferença para compreender o fio condutor das vidas conturbadas que ficamos a conhecer de forma tão profunda no decurso do filme. É daquelas bandas sonoras que se a tentarmos ouvir sem ver o filme, sem ver os sons ligados à acção, às cenas, não faz qualquer sentido... mas após sair da sala de cinema, tentar ouvir as composições de Raznor é algo bastante perturbador e completamente diferente...

Posso afirmar que David Fincher conseguiu fugir à tentação de fazer um remake dos filmes suecos, conseguiu com sucesso dar uma nova dimensão à história de "The Girl With the Dragon Tattoo", não se sobrepondo aos filmes que já existiam. Alguém que já viu a trilogia cinematográfica nórdica, pode ir ver esta adaptação e esperar novos elementos e  uma abordagem diferente à matéria prima de Stieg Larsson...

Claramente um filme a não perder, uma trilogia a acompanhar com expectativa e um argumento incompatível com estômagos fracos...


Classificação: 10/10

Tuesday, 17 January 2012

A Trilogia da Vingança de Park Chan-wook

No ano em que se assinala uma década da estreia do primeiro filme de uma das Trilogias mais marcantes do cinema (e também uma das mais premiadas!), recupero um dos artigos que mais gozo me deu escrever...

Sympathy for Mr Vengeance - 2002



Bem-vindos à vida de Ryu (Sin Ha-gyoon – Thirst, No Mercy for the Rude), um jovem surdo, e a sua irmã, que precisa urgentemente de um rim. O patrão de Ryu, Park (Song Kang-ho – The Host, Thirst), acaba de o despedir e ele não consegue pagar a operação, por isso e juntamente com a namorada (Bae Doona – Air Doll, The Host), criam um plano para raptar a filha de Park. Mas as coisas correm horrivelmente mal, e a partir daí um ciclo imparável de morte e vingança começa....

Revenge Was Never This Sweet

O primeiro filme da Trilogia trata de Justiça. Ao longo do filme o espectador é incapaz de se desligar do sofrimento dos personagens principais: do pai desesperado por encontrar e punir os criminosos que lhe raptaram a filha e do irmão surdo despedido no preciso momento em que a irmã necessita de um transplante vital de um rim.

As interpretações geniais de Song Kang-ho e Sin Ha-gyoon (ao longo da carreira de Park, estes dois actores aparecem recorrentemente, sendo mesmo considerados “musas” para o trabalho do realizador, da mesma forma que Johnny Depp está para Tim Burton), são geniais e são sem dúvida o ponto mais alto de todo o filme, fazendo o espectador viver todo os percalços e sentir genuinamente a ambiguidade do argumento, ficando dividido entre as lutas dos dois protagonistas.

Se por um lado é injusto o despedimento de Ryu por Park, impedindo-o de pagar a operação da irmã, também é injusto o rapto da filha de Park.

Depois de ver este filme fica connosco uma incómoda pergunta: Até onde éramos capazes de ir por vingança, para vingar as pessoas que amámos?


Oldboy - 2003



Um homem vulgar é raptado e preso numa cela durante 15 anos sem qualquer explicação. Entretanto, é libertado, dão-lhe dinheiro, um telemóvel e roupas caras. Enquanto tenta encontrar uma explicação para o seu imprisionamento e conseguir a sua vingança, ele rapidamente descobre que o seu captor tem ainda planos para ele, mas esse último plano, será o culminar de 15 anos de sofrimento e não se pode voltar atrás.

15 years of imprisonment, five days of vengeance

Numa noite chuvosa, em que um homem alcoolizado (Choi Min-sik) é detido pela polícia por distúrbios, na noite a sua única filha faz anos, o seu melhor amigo paga-lhe a fiança e liberta-o. Mas durante uma chamada numa cabine telefónica, Oh Dae-Su desaparece sem deixar rasto...

Assim começa um dos filmes mais marcantes da década...

A partir do manga japonês homónimo – publicado de 1996 a 1998, em 8 volumes – veio a inspiração para a criação de toda a trama tecida em torno do personagem Oh Dae-su. Depois foi só juntar a prodigiosa mente de Park Chan-Wook, que neste segundo filme da Trilogia, não desilude e presenteia o espectador com cenas poderosas e marcantes, aliadas ao choque de vontades, moralidades e a sempre chocante capacidade e inclinação do ser humano em corromper, subverter e destruir tudo em seu redor.

Dos filmes que compõem a Trilogia da Vingança, “Old Boy” foi de longe o mais premiado, com prémios arrecadados um pouco por todo o mundo, sendo aclamado pela crítica como um dos melhores filmes dos últimos anos, mostrando o Homem tal como é, sem pretenciosismos, nem psicologia barata...


Sympathy for Lady Vengeance – 2005



Após uma pena de 13 anos pelo rapto e assassínio de um menino de 8 anos, a jovem Lee Guem-ja (Lee Young-ae – Joint Security Area, Fun Movie), procura vingança sobre o homem que realmente cometeu o crime pelo qual foi acusada. Com a ajuda das antigas companheiras de cela, Geum-ja procura redenção através da vingança. Mas será que vingança trás consigo a paz que Geum-ja tanto deseja?

Lee Geum-Ja, have mercy on us...

Este é o capítulo de encerramento da Trilogia da Vingança, e depois deste filme sentimos, claramente, o fechar de um ciclo.

Este filme trata de redenção, justiça e como chegar até elas...

A libertação de Lee Geum-Ja, dá início a um elaborado plano de vingança, contra o verdadeiro culpado do crime pelo qual foi condenada...

Uma vez mais, Park Chan-wook, presenteia-nos com uma história ambígua, neste filme ao contrário dos dois anteriores, o espectador não quer sequer imaginar estar em alguma das situações criadas por Park.

São situações de tal forma limite, situações que dilatam e deformam a escala de valores, que só mesmo quando confrontados com elas é que se seria capaz de entender a magnitude dos actos de vingança de Geum-Ja.

Neste filme, assistimos ao discreto regresso de alguns de alguns actores dos dois filmes anteriores (Song Kang-Ho, Choi Min-sik e Sin Ha-gyoon), em pequenos papéis secundários, ficando a sensação de continuidade e de fecho de um ciclo com gSympathy for Lady Vengeanceh.

Após a estreia estrondosa nos cinemas deste filme, Park Chan-Wook, editou uma nova versão que apenas foi exibida em alguns cinemas da Coreia do Sul, “Lady Vengeance – Fade to black and white version”. Tal como o nome indica, o filme começa em full technicolor e de forma gradual vai “perdendo” as cores, chegando ao final completamente a preto e branco.




A Trilogia da Vingança de Park faz parte da lista restrita dos filmes obrigatórios a ver, que retratam de forma inteligente, sem cair em pretenciosismos a verdadeira essência do que é ser Humano, do que somos capazes de fazer quando confrontados com situações limite, em que não podemos escapar, apoiados às falsas moralidades impostas pelas pseudo-sociedades humanas, que se esquecem que não somos criaturas lineares mas altamente complexas, que regra geral fogem à suposta “normalidade”.

Park Chan-wook é tão genuíno como o seu trabalho, e esta Trilogia é sem dúvida uma raridade, pois é bastante complicado ver coerência em trabalhos desta complexidade e filmados em alturas diferentes da vida das equipas envolvidas.

O mais curioso é mesmo, o facto que nenhum dos filmes que constituem a Trilogia de Park Chan-Wook, ter sido pensado e produzido como parte integrante de uma Trilogia, mas sim como produções independentes. Posteriormente, e rendendo-se à forma como o público se referia ao seu trabalho, Park adoptou essa classificação, tornando-a oficial. É um raro exemplo de uma Trilogia que não o era até tudo estar pronto e exibido, e que só depois aquando dos lançamentos em DVD de cada um dos filmes, é que os três apareceram oficialmente ligados...

Qualquer espectador mais atento consegue identificar facilmente o fio condutor destas três produções: a condição humana e a sua natureza intrínseca sempre como pano de fundo e o quão longe, mesmo o homem mais vulgar e desinteressante é capaz de ir para conseguir vingança e redenção. Temos também uma série de cameos (presenças não creditadas) de vários actores dos três filmes, em cada um dos outros, interligando profundamente e de forma indelével as três histórias.

Se me pedissem para descrever cada um dos filmes da Trilogia da Vingança de Park, usando apenas e somente uma palavra, sem sombra de qualquer dúvida que seriam: Justiça, Vingança e Redenção.

Para quem gosta de bom cinema, com argumentos originais e espantosas interpretações...


Sunday, 11 December 2011

Eduardo Mãos de Tesoura

 (IMDB)

Título Original: Edward Scissorhands
Ano de Estreia: 1990
País: USA
Realizador: Tim Burton

Sinopse:
Era uma vez um castelo no topo de uma colina, onde vivia um inventor cuja maior criação é Edward. Apesar deste possuir um carisma irresistível, não é perfeito. A trágica e súbita morte do inventor deixou-o incompleto e dotado de afiadas tesouras por mãos.

Comentário:
Tim Burton criou um intemporal conto de fadas, que apesar de volvidos tantos anos, mais de vinte anos, ainda é capaz de tocar corações.
Tudo começa com um inventor que vive no topo de uma colina, mesmo na fronteira de um típico subúrbio americano, convenientemente chamado de Suburbia, e que cria Edward, um homem com mãos de tesoura.
Um dos primeiros trabalhos de Tim Burton como Produtor,em que claramente se presencia a génese do seu visual característico, esta produção é também a primeira colaboração entre Johnny Depp e Tim Burton dando início à sua mítica relação (Alice in Wonderland, Sleepy Hollow, Corpse Bride).
Apesar de ter tido já a oportunidade de ver o filme diversas vezes, nunca deixa de me surpreender pela intemporalidade e simplicidade da história e pela forma como esta fábula retrata as relações humanas e a natural sequência dos eventos, que mesmo que estejamos a contar com o que se irá passar, estámos sempre a torcer para que as pessoas pelo menos por uma vez, sejam capazes de ser boas e altruístas.
Tudo começa como um sonho para Edward (Johnny Depp), as cores, as pessoas, a simpatia de todos e a forma calorosa como é recebido por entre os habitantes de Suburbia. Mas à medida que cada um analisa as potencialidades do recém-chegado e a forma como podem pô-las a render para seu próprio benefício, aquelas características humanas que todos tentámos manter trancadas no nosso armário, vêm rapidamente à superfície e começam a provocar estragos. A inveja, a ganância e sobretudo o egoísmo de quem rodeia Edward fazem-no  desejar o isolamento do seu castelo decrépito, no cimo da colina.

Apesar de tudo, mesmo no meio de toda a confusão que se gera em torno de Edward, o amor pela filha da mulher que o acolheu, Kim (Winona Ryder) floresce e é ela quem o ajuda a escapar e a regressar a casa. Fugindo dos humanos e regressando ao isolamento em que sempre viveu, Edward passa a observar o mundo de cima e relembrando a sua breve passagem por Suburbia.
Desde os efeitos especiais, à caracterização de Depp, à própria forma com toda a produção foi conduzida (apesar de serem abordados temas sérios, está sempre presente de forma constante o característico humor negro de Burton), são simplesmente brilhantes e estámos, sem qualqluer dúvida na presença de um mais um clássico de Burton.
Além de um sem número de nomeações ( Caracterização, Melhor Tema Musical, Melhor Actor, etc), "Eduardo Mãos de Tesoura" conseguiu arrecadar alguns prémios:

Saturn Award - Best  Fantasy Film (1992)
Hugo Award - Best Fantasy Film (1991)
Sant Jordi Award - Melhor Filme Estrangeiro e Melhor Actriz Estrangeira (1991)

Classificação: 10/10

Tuesday, 22 November 2011

Changeless


Título Original: Changeless
Autora: Gail Carriger
Editora: Orbit
Origem do Livro: Book Depository
Data de Lançamento: 30 de Setembro de 2010

Sinopse:
Alexia Tarabotti, Lady Woolsey, acorda uma bela tarde encontrando o seu marido, que devia estar decentemente dormindo, a gritar o mais alto possível para um lobisomem da sua envergadura e estatuto. Depois de forma inaceitável, o referido marido desaparece deixando-a sozinha para lidar com um regimento de soldados sobrenaturais acampados à porta do Castelo de Woolsey, um sem número de fantasmas exorcisados e uma Rainha Vitória para lá de furiosa.


Mas Alexia está armada com a sua fiel sombrinha, a última moda e um arsenal de infindável civismo. Mesmo quando as suas investigações a levam rumo à "selvagem" Escócia, um refúgio de coletes pavorosos, ela está preparada: dominando as dinâmicas hierárquicas da matilha de lobisomens, como só um "soulless" pode.

Mesmo assim, consegue encontrar tempo para descobrir o seu marido tresmalhado, isto se lhe apetecer!

Comentário:
Neste segundo livro do "Parasol Protectorate" nota-se um claro esforço da autora, para usar mais elementos Steampunk, no livro. De realçar a invenção de um todo sistema de comunicação através do aether (um gás que existe na atmosfera e que facilita transmissões de ondas através de longas distâncias).

Neste livro ficámos a conhecer um pouco melhor os preternaturais (os poderes e algumas formas como as outras criaturas podem usar os preternaturais para seu benefício), assistimos ao desenvolvimento de alguns personagens secundários (e que desenvolvimento), em especial a espetacular Hisselpenny com os seus chapéus extravagantes e uma nova personagem que irá com certeza surpreender muitos: Madame Lefoux, uma chapeleira francesa que tem muito que se lhe diga ;)

Uma vez mais a nossa Lady Woolsey, escolhe o caminho mais complicado e perigoso para desvendar este mistério dos sobrenaturais perderem os seus poderes assim de um momento para o outro e de um clã de lobisomens teimosos como o lobisomen que a eles deu origem que preferem manter-se humanos a passar muito mais tempo sem um Alpha entre eles.

O final deste livro é impróprio para cardíacos ou quem possa sofrer de problemas de saúde relacionados com cliffhangers :P Um aviso, tenham à mão o próximo volume ou irão passar um mau pedaço! ;)

Classificação: 7/10

Tuesday, 30 August 2011

Before the Blog

"Before the Blog" é uma rúbrica onde bloggers podem falam falar de livros que leram antes de começarem a partilhar as suas opiniões nos seus blogs (pois antes mesmo de bloggar sobre livros, já tinha lido centenas de outros livros). Pois de certeza que existem pérolas literárias no passado que também merecem ser desenterradas e partilhadas!

Este é portanto o primeiro post de mais uma rúbrica no Cantos Quebrados, acho que já dá para ver o meu amor por rúbricas (^.~)...

E como funciona o "Before the Blog"? Basicamente escolhemos um livro que achemos que merece ser recordado, respondemos a três perguntas e depois partilhamos a nossa opinião quanto ao livro escolhido.

Site que começou o "Before the Blog" - www.yalitwit.blogspot.com

"A Sociedade Literária da Tarte de Casca de Batata", de Mary Ann Shaffer e Annie Barrows
  • Porque é que escolheste este livro?
 Escolhi este livro devido ao título invulgar, como me chamou a atenção e como por vezes é preciso ler um pouco fora da nossa confort zone literária, peguei n'"A Sociedade Literária da Casca de Batata" sem qualquer ideia do que iria encontrar nas suas páginas.
  • Quando é leste este livro?
Li este livro entre o final de Abril e Maio de 2010, praticamente devorei-o...em menos de 2 semanas.
  • A quem recomendarias este livro?
A quem gostaria de experimentar um livro invulgar, sobre um grupo de amantes de literatura que lutam contra a ocupação nazi da ilha inglesa de Guernsey (que é a sede do dealer de muitos viciados, o BookDepository).

Sinopse
Londres, 1946.

Depois do sucesso estrondoso do seu primeiro livro, a jovem escritora Juliet Ashton procura duas coisas: um assunto para o seu novo livro, e, embora não o admita abertamente, um homem com quem partilhar a vida e o amor pelos livros.

É com surpresa que um dia Juliet recebe uma carta de um senhor chamado Dawsey Adams, residente na ilha britânica de Guernsey, a comunicar que tem um livro que outrora pertenceu a Juliet. Curiosa por natureza, Juliet Ashton começa a corresponder-se com vários habitantes da ilha.

É assim que descobre que Guernsey foi ocupada pelas tropas alemãs durante a Segunda Guerra Mundial, e que as pessoas com quem agora se corresponde formavam um clube secreto a que davam o nome de Sociedade Literária da Tarte de Casca de Batata.

Fascinada pela história da dita Sociedade Literária, e ainda mais pelos seus novos amigos, Juliet parte para Guernsey. O que encontra na ilha mudará a sua vida para sempre…

Comentário
Parti para este livro apenas porque realmente tem um nome bastante invulgar, e depois de ler a sinopse, pensei"o que pode ser melhor para uma amante de livros, do que ler um livro sobre uma amante de livros?"...

"A Sociedade Literária da Tarte de Casca de Batata" é um livro escrito por uma antiga bibliotecária e livreira com uma paixão por livros, Mary Ann Shaffer, que devido a problemas de saúde faleceu antes de poder dar os últimos retoques ao seu manuscrito, assim Annie Barrows terminou o trabalho da tia.


É um livro invulgar, sob a forma de epístola (correspondência trocada entre a protagonista, Juliet Ashton e Dawsey Adams, e que rapidamente ganha novos correspondentes na ilha de Guernsey), e que me surpreendeu bastante pela positiva, pois a história é bastante fuida e facil de acompanhar. É um livro aconchegante e acolhedor com uma escrita simples e acessível.

Acompanhamos assim a história de uma mulher apaixonada pelos seus livros, extremamente independente, numa Londres e num país em plena 2ª Guerra Mundial, que num dos lugares mais improváveis encontra algo que já há muito havia desistido de procurar... Foi um livro que ganhou um cantinho especial no meu coração, pois há muito que não via uma história tão bem contada, com a qual me identificasse tão bem... sedo por isso um dos livros que recomendo sempre.


Classificação: 9/10
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